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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Decadência do Romance

Olá! Sumissos a parte, estou de volta para tratar de um assunto que mesmo banalizado, continua sendo sempre um dos temas mais discutidos em rodinhas de bares, escolas, festas e entre outras reuniões: RELACIONAMENTOS. Claro, que de uma forma muito mais, digamos, banal, os relacionamentos passaram por uma evolução regressiva, se é que isso é possível. Mas com poucos exemplos posso provar que sim, a relação entre homem e mulher evoluiu de ré.
Evoluiu por que somos responsáveis por nossas escolhas. Há pelo menos 30 anos atrás não éramos mais obrigados a ficar com os parceiros escolhidos por nossos pais, por trocas comerciais ou por meros interesses sociais. Conquistamos nosso direito de escolher quem queremos ao nosso lado, quem será a pessoa para compartilhar alegrias ou tristezas, saúde ou doenças, riquezas ou pobrezas até que a morte nos separe. Podemos namorar. Namorar em casa, no cinema, no bar, restaurantes, parques... Sim! Podemos namorar! Mas para os "teenagers" de plantão, o namoro de algumas décadas atrás era feito por carinho, beijos, até uns amassos escondidos, mas especialmente por conversa. Claro, muita conversa. Afinal, o namoro servia para você conhecer a pessoa, se apresentar a ela, e por fim tirar as conclusões necessárias sobre o tal relacionamento.
Porém, quando afirmo que essa evolução foi de ré, é pelo fato de que as pessoas utilizando esse direito de escolha acabaram banalizando um dos mais importantes momentos de nossa vida, que é a caminhada para a construção de uma família. Acabam pulando etapas importantes até mesmo para seu auto-conhecimento.
Hoje, namorar significa uma prisão domiciliar, uma exclusão da sociedade ativa, uma troca de personalidade, até mesmo um homícídio da alma. Quando se está namorando perdem-se festas, amigos e muitas oportunidades de crescimento, tudo isso porque as pessoas se fecham em um mundo próprio, único e individualista. Mas agora pergunto: Não deveria ser ao contrário? Você não deveria estar com uma pessoa que te trata bem em qualquer lugar ou circunstância, te apresenta aos amigos e familiares e também se deixa apresentar? Não deveria ser uma pessoa que te apoia e te mostra opções de caminhos a serem percorridos, que sinta orgulho de suas atitudes e pensamentos?
E a conquista? Onde foi parar? Aquela história de convidar para um jantar, convidar para um cinema, convidar para um passeio, onde se perdeu? Ninguém mais quer conquistar. Ficou muito fácil. Não existe mais um relacionamento verdadeiro? Sem mentiras e traições? Não há mais SENTIMENTOS verdadeiros? Respondo: Não! Não pelo menos exposto, à mostra, em evidência.
Não existe Fidelidade! Mataram a Lealdade! As pessoas viraram objetos de consumo e desejo nas mãos umas das outras. Não existe maus um "clima". Ninguém te leva pra tomar um sorvete para conversar. Não tem mais porquê conhecer uma pessoa, o que ela é, o que faz, o que pensa! Pra quê?! Se daqui a pouco será apenas mais um nome em uma lista, mais um descarte!
Já não se olha nos olhos. As pessoas fogem dos sentimentos. Se tornaram pedras. Duras. Frias. Sem vida! Apenas carcaças insonsas, doidas e alucinadas por prazer. Sexo. Só. Nada mais. Só sexo. Sem sentimento, sem carinho, sem emoção. Só um ato. Uma cena. Um teatro.
Não vale mais a pena sonhar, chorar, querer, planejar... Tudo é um jogo de interesse.
Quem sabe, depois de sofrer com a solidão e com o desprezo, as pessoas não comecem a repensar suas atitudes e seus pensamentos?! Comecem a dar valor aos sentimentos das outras pessoas! Se importem com os valores, que mesmo ditos fora da moda, ainda interferem e influenciam em todas as questões sociais.
Quem sabe assim, nós não regredimos alguns anos para evoluirmos como pessoas... E um dia poder olhar pra trás e ver que AMAR valeu a pena...